O carro passa ao lado. Das janelas saem fuzis. No banco de trás ele olha para cima com todo o orgulho de ser o que é. Na frente vão dois. Janela aberta. O carro passa silencioso apesar da pose.
No banco triplo, o joelho não cabe, a perna dobra feito garça, mas não tem graça. Hoje foi o trocado do pão na saída da padaria. O caco de vidro ameaçou o pescoço. A saída foi em disparada. O senhor com três paezinhos teve tempo para o grito. Pega, pega. O menino já foguete virou a direita e alguém cometa o pegou. Pela gola da blusa furada do candidato 1444, o pessoal resolveu fazer justiça. O policial estava passando ao acaso, na mão o pão. No rosto impaciência. Vai para o carro, sem algema, sem vidro, um caco. Na barriga o vácuo.
Na delegacia terceira ficha. É menor. Uma vez foi 5, outra vez celular e agora 3 reais e migalhas. Ele olha para baixo, da vida só farelo, 3 meses ou um ano, pouco importa.
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