<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829</id><updated>2011-11-15T06:10:28.356-08:00</updated><category term='euxaristo'/><category term='fruta madura'/><category term='pequenas do outro'/><category term='pequenas histórias'/><category term='madureza'/><title type='text'>.</title><subtitle type='html'>leve e colorida como um balão que vai alto lá no céu e, lá em cima, uma criança sorri e acena para o que passou</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>25</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-4201480395890523216</id><published>2011-11-11T18:54:00.000-08:00</published><updated>2011-11-11T19:07:19.173-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fruta madura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='madureza'/><title type='text'>laranja-lima</title><content type='html'>Cantarola. Pedala em falso e abraça o chão de lado. Joelho, ombro, coração e mãos ralados. A pele sai, esfolada, cansada, procurando uma renovação. As pessoas dizem que se cai de maduro. A fruta cai no chão, cai na terra e da queda, terra mais fruta, produzem um algo outro... novo. Sai do braço que a até então a abraçava. Vôo corajoso. Mas só madura é que faz. Quem é que sai de um braço que abraça pra beijar de cara o chão? A menina levanta. Pede um gelo na barraca. Passa no ombro, joelho e mãos. O coração não alcança. Esse cura sozinho. Grande madureza. Pega a bicicleta e pedala. Na próxima queda se prepara. Joelheira, capacete e luva na mão. É necessário se fazer laranja madura, doce. Mas com prudência, pensa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-4201480395890523216?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/4201480395890523216/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2011/11/laranja-lima.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/4201480395890523216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/4201480395890523216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2011/11/laranja-lima.html' title='laranja-lima'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-8561570680441231130</id><published>2011-03-13T19:12:00.000-07:00</published><updated>2011-11-11T18:53:43.231-08:00</updated><title type='text'>a beleza</title><content type='html'>A beleza está na maneira como as pessoas ocupam o espaço. Ele repetia isso inúmeras vezes. Eram nove e meia de uma sexta-feira em um bar qualquer da Lapa. Talvez qualquer para mim, mas para uns outros tantos que por ali se mostravam mais belos pela familiaridade com o local, talvez fosse o Bach, como o cantado pela letra do bloquinho que ano que vem já quase vira tradição nessa vida de informações breves e acontecimentos passageiros.... onde outro dia um alguém disse pra mim que o tempo nada importa em certas relações, e que há momentos que acontecem para além do Tempo... não, não era bem isso... mas poderia ter sido... O sujeito que repetia a frase da beleza por fim considerou-as duas: uma tal momentânea, do senso comum e, essa outra, que tem a ver com o espaço. Hoje por volta das 22h30, depois de me esparramar feito ameba no sofá,  veio a frase, saída de outra boca: a apropriação do espaço determina um lugar... ou algo assim... ali fiquei esparramada, fincando moradia secundária no sofá, numa ocupação nem de longe bela, num momento que em nada ficará depois do tempo passar (talvez agora que foi dito), em nada parecido as Certas relações, que criam lugares em tempos outros... por apropriarem-se de formas belas de ocupar os espaços alheios e, que alguém, vez ou outra, vai visitar.... Durmo, querendo visitá-los em sonhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-8561570680441231130?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/8561570680441231130/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2011/03/beleza.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/8561570680441231130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/8561570680441231130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2011/03/beleza.html' title='a beleza'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-2430095025182417924</id><published>2011-02-27T11:40:00.000-08:00</published><updated>2011-02-27T12:13:43.902-08:00</updated><title type='text'>notícias portuguesas 01</title><content type='html'>Ali, era uma cidades onde o silêncio habita e a solidão impera. As pessoas já não ficavam mais, como folha em árvore que voa pra adubar outras terras. Sobravam só cinco troncos antes da árvore morrer por completo. Era dona Madalena, um casal, Dona Francisca, viúva e Seu Eusébio que moravam naquele conjunto de pedras em cima do morro. Nasceram e se criaram ali, todos frequentavam a igreja do Padre Zeca que há tempos foi tocar outros sinos. Estavam feito oásis no deserto, raridades em meio ao enorme vazio. Qualquer novidade era segredo, porque não tinham com quem compartilhar. Um dia três estalidos fizeram com que hoje, naquele conjunto de casas de pedra, morem apenas duas mulheres. Sem mais a música tradicional, sem mais o sino da igreja, nem criança, sem mais nada, uma alterna a visitância com a outra, e inventam conversa com as plantas para ter assunto no dia seguinte. Guardavam um segredo, não por que quisessem mas porque Ali era assim, até que o Censo, 2 meses depois do sucedido, resolveu bater na cidade. As duas, amigas por força da ausência, nem mexeram no acontecimento, na altura se fizeram de joanas sem braço, enquanto que uma lágrima escorria pelo desespero de se saberem ainda mais sós.   Foi um homem  e mais duas cabeças, ele atirou certeiro e reduziu aquela cidade a menos da metade de seus habitantes. Matou o casal e depois a si próprio. O Censo chegou, estavam todos, misturados às moscas e mau cheiro. Registrou o sucedido e anotou que a população Ali, contava com mais mortos do que vivos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-2430095025182417924?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/2430095025182417924/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2011/02/noticias-portuguesas-01.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/2430095025182417924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/2430095025182417924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2011/02/noticias-portuguesas-01.html' title='notícias portuguesas 01'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-7469777414556574797</id><published>2011-02-27T10:39:00.000-08:00</published><updated>2011-02-27T11:40:12.701-08:00</updated><title type='text'>notícias portuguesas</title><content type='html'>Dona Eraldina vivia num apartamento 5º B. Não tinha filhos e dos sobrinhos sem notícias, nem eles dela. Pitu, seu cachorro, era silencioso. E os dois não eram conhecidos de quase ninguém a não ser deles próprios. Da vizinha do lado, do 5º A, conhecia o cumprimento, e isso era suficiente para lembrar da fala. Um primo semana sim e duas não passava por casa para deixar um abraço e reavivar alguma infância. Eraldina era assim. Vida simples de descer escada, atravessar a rua, ir ao supermercado e mais nada. Palavras poucas e o som do rádio. Cozinhava com gosto, só para ela. E arrumava a casa como se recebesse visitas. Era ela e a sua própria companhia. Conversava com o apresentador da televisão no programa da tarde e tudo isso bastava para preencher seus dias. Um dia, foi notícia. Abriram sua casa, arrumada para enfim uns visitantes. Eraldina estava na cozinha. Pitu ao seu lado, com a fuça na pele dela. A causa da visita foi atraso no imposto. Nem a campainha a companhia tocou. Foi logo entrando. E o cheiro que vinha lá de dentro era de carne, carne apodrecida. Nove anos em espera por alguém que se lembrasse dela. Eraldina caída no chão da cozinha. Sem mais rosto. A vizinha do 5º A ainda disse que tocou a campainha inúmeras vezes por não ter mais ninguém pra cumprimentar, mas ninguém dá ouvidos aquilo que se acha sem importância. E o primo nesse meio tempo desisitiu do tanto sumiço. Depois de Eraldina uns outros tantos foram encontrados largados no chão de suas casas, fazendo do chão de cimento a terra para se enterrar. E no radinho, dizem que tocava uma música vinda do além-mar que diz que no mundo "há tanta gente sozinha que a gente nem adivinha". E depois de muitos anos de espera, o apresentador do programa de depois do meio-dia notou que Eraldina um dia exisitiu, e falou com ela. Que descanse em paz, foram as palavras dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-7469777414556574797?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/7469777414556574797/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2011/02/noticias-portuguesas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/7469777414556574797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/7469777414556574797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2011/02/noticias-portuguesas.html' title='notícias portuguesas'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-5664453453538278371</id><published>2010-04-06T18:02:00.000-07:00</published><updated>2010-04-06T18:06:48.654-07:00</updated><title type='text'>só farelo</title><content type='html'>O carro passa ao lado. Das janelas saem fuzis. No banco de trás ele olha para cima com todo o orgulho de ser o que é. Na frente vão dois. Janela aberta. O carro passa silencioso apesar da pose. &lt;br /&gt;No banco triplo, o joelho não cabe, a perna dobra feito garça, mas não tem graça. Hoje foi o trocado do pão na saída da padaria. O caco de vidro ameaçou o pescoço. A saída foi em disparada. O senhor com três paezinhos teve tempo para o grito. Pega, pega. O menino já foguete virou a direita e alguém cometa o pegou. Pela gola da blusa furada do candidato 1444, o pessoal resolveu fazer justiça. O policial estava passando ao acaso, na mão o pão. No rosto impaciência. Vai para o carro, sem algema, sem vidro, um caco. Na barriga o vácuo. &lt;br /&gt;Na delegacia terceira ficha. É menor. Uma vez foi 5, outra vez celular e agora 3 reais e migalhas. Ele olha para baixo, da vida só farelo, 3 meses ou um ano, pouco importa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-5664453453538278371?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/5664453453538278371/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2010/04/so-farelo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/5664453453538278371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/5664453453538278371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2010/04/so-farelo.html' title='só farelo'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-1722155644370196846</id><published>2009-07-22T19:31:00.000-07:00</published><updated>2009-08-12T09:34:10.294-07:00</updated><title type='text'>João de Barro</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_XxTWETWzsws/SoLutAvfkDI/AAAAAAAAAE4/RDI0Sp2HNZU/s1600-h/p%C3%A1ssaro1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_XxTWETWzsws/SoLutAvfkDI/AAAAAAAAAE4/RDI0Sp2HNZU/s320/p%C3%A1ssaro1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5369116162839777330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Desde cedo está ali. Passa o dia com os pés no ar sentado na sua cadeirinha. Na frente parede branca ou bege, vai do gosto do freguês. Atrás o céu azul devora. Em baixo a vida que parece maquete.&lt;br /&gt;Ele vai todo dia feito pássaro, sem árvore. Trabalha só. É quase invisível. As pessoas só o percebem quando abrem a janela e lá está, feito um pombo sujo sentado na sua ripa de madeira, com a lata ao lado. Elas ignoram como aos pombos, fecham a janela para evitar contato. Ele não liga, trabalha com isso não é de hoje.&lt;br /&gt;Às vezes na pausa não desce. Sobe com a lata, pincel e marmita. E se põe ao contrário. Olhando o céu que lhe é tão próximo. Lá em baixo a insignificância das pessoas. São como formiguinhas que são milhões, e vistas dali, são todas operárias. Passando num passo apressado de um lado ao outro, de maneira aparentemente ordenada.&lt;br /&gt;Ali de cima ele se sente ave. Livre, mas sem vôo rasante. Sente a tranquilidade do silêncio e o vento que bate de leve e movimenta a corda que o sustenta. O sol por vezes castiga. Não tem toldo nem sombra para se esconder. Ele quer árvore com sombra e com galho. Árvore com folha e com flor. Ele é pássaro sem ninho. No chão não reconhece moradia. Mas amanhã voa, e ele que era só João vira João de Barro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-1722155644370196846?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/1722155644370196846/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/07/joao-de-barro.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/1722155644370196846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/1722155644370196846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/07/joao-de-barro.html' title='João de Barro'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_XxTWETWzsws/SoLutAvfkDI/AAAAAAAAAE4/RDI0Sp2HNZU/s72-c/p%C3%A1ssaro1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-7714632756244083662</id><published>2009-07-22T19:17:00.000-07:00</published><updated>2009-07-22T19:18:57.440-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pequenas histórias'/><title type='text'>copo vazio</title><content type='html'>Foi triste como tudo começou. Era puro descontentamento. Estava mais pesada do que o normal, mais feia do que queria e com isso se fechou.&lt;br /&gt; Há dias que havia tomado a decisão. Queria mudar, mas não sabia como, nem por onde começar, então há dias que se olhava no espelho, procurando se memorizar… fez várias fotos. De todos os ângulos. Das costas, de lado, de frente.  Parava petrificada no espelho. Não acreditava no que via. A cada dia crescia mais de um milímetro. Ela acompanhava, quase como que vendo o crescimento.  O movimento da pele de  esticar, um pouquinho a cada segundo.&lt;br /&gt;Às vezes parava horas em frente ao espelho. E ali ficava em pé… a olhar. Comprou uma lupa para acompanhar o movimento. Seu próprio movimento que ela não controlava. E crescia um centímetro por semana.  Ela começou a observar. A se observar vinte e quatro horas por dia. O seu próprio movimento. Era a pele que ia abrindo sulcos. Pequenos sulcos. E ela calculava. Daqui dois anos vira uma ruga. Pára estática. Petrificada, queria se conservar com formol. Queria ser pedra, que diminui com o tempo.  Mas crescia mais de um milímetro a cada dia. E os fios acompanhavam.  Todos. E ela olhava com lupa, na raiz. E via, como uma onda, milhares de fios se movimentando, minimamente, todos juntos.. crescendo.&lt;br /&gt;E ela ia se observando nos pormenores. No atrás da orelha e dentro do umbigo…crescendo, cada vez mais fundo. Com o passar dos anos virou enorme. As rugas eram dobras, e o cabelo já ia nas ancas. Era uma figura estranha. Só comia e se olhava. E crescia. O pé já calçava 42, e as roupas de meio ano atrás não cabiam. Ela ia virando massa de pão. E ia se contorcendo na busca dos pormenores. Era dobra que entrava em dobra. Como uma cobra gorda que se enrosca em si mesma. Se transformou em massa. A cabeça já se confundia com a barriga. E ela só olhava o próprio umbigo. Era a única dona do seu nariz, perdido no meio da massa.&lt;br /&gt;A boca já não abria, já não se encontrava. Ela devorava a si própria. As mãos faziam o reconhecimento do próprio corpo, massa disforme. E ela que já foi gente agora era pão cru, pronto para ir ao forno. &lt;br /&gt;Viu as fotos que  fez de si própria, antes de se fechar num casulo, do qual ela era verdadeira lesma. Nas fotos a imagem era de alguém nem bonita, nem feia e nem triste, nem feliz. Alguém que tinha forma. E quis ser algo, algo verdadeiramente bonito. Rolou para um lado e para o outro. Se apalpou brincando de massinha com o próprio corpo e se ergueu  casa. Simples porém bonita, com porta e janela, se fez oca por dentro, abraçando o grande vazio que dela fez moradia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-7714632756244083662?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/7714632756244083662/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/07/copo-vazio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/7714632756244083662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/7714632756244083662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/07/copo-vazio.html' title='copo vazio'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-1751091134280017740</id><published>2009-06-27T15:00:00.000-07:00</published><updated>2009-06-27T15:03:40.853-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pequenas histórias'/><title type='text'>A máquina</title><content type='html'>Ganhou o objeto no dia de seu aniversário, e desde então sempre que via algo interessante tirava do bolso, ligava, olhava na telinha e apertava o botão. Pronto registrava ali o que queria guardar para sempre. Em dois anos aquilo que ele queria guardar para sempre passou das 1000 coisas e em três das 10000. Com o tempo ele já não sabia mais o que afinal queria guardar. E de fato percebeu que não tinha guardado nada. Ao final do quarto ano a ação de tirar do bolso, ligar, olhar na telinha e apertar o botão se tornou um ato quase como respirar. A vida se passava por ali. Reduzida a um quadrado. Ele dizia que só assim conseguia perceber o mundo, ali restrito cercado por aquele quadradinho e congelado durante um segundo, para dali ficar registrado em imagens que ele demoraria pelo menos um ano para observá-las todas.&lt;br /&gt;Quando sua coleção beirou 100.000 o braço já ficava naturalmente dobrado para cima na altura dos olhos, duro como um manequim. Na mão o objeto, com a telinha quadrada por onde ele via o mundo. Não olhava mais nos olhos das pessoas. Criou aquela barreira. O seu tempo passou a ser outro. Necessitava sempre de um segundo de congelamento e cada vez mais a comunicação se fez mais difícil. O registro não ficava na sua memória, e sim na do objeto e nos vários cartões de vários gigabites adquiridos nos últimos anos. Tinha se tornado um garoto sem memória, e sem vivência. Vivia para o objeto. Era como se ele fosse uma extensão daquilo até desaprender a ver a vida só com olhos. Um dia o objeto ficou sem bateria. O quadradinho ficou preto. O menino que estava no meio da multidão ficou ali, por alguns momentos inerte, esperando esse um segundo eterno de registro da escuridão. Mas o segundo demorou anos, uma vida. E ele que há muito tinha perdido a memória, se desligou de vez do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-1751091134280017740?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/1751091134280017740/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/06/maquina.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/1751091134280017740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/1751091134280017740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/06/maquina.html' title='A máquina'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-5981924907073538476</id><published>2009-05-18T20:10:00.001-07:00</published><updated>2009-05-18T20:10:55.976-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pequenas do outro'/><title type='text'>secará</title><content type='html'>Domingo de manhã, Sol forte vindo da janela aberta, sem cortina, sem veneziana, sem nada. Entrada direta no rosto de quem dorme. À claridade já se habituou. Ao calor quase, mas ao sol que queima como maçarico nem perto disso. Acorda com sono de noite bem dormida que pede bis.  Sonhos bons de sonhar, mas que não lembra o tema.&lt;br /&gt;Não são nem nove horas, e ele não dormiu nem seis. A cabeça ainda roda da noite anterior. E pesa. A voz sai rouca, e o bafo é certeiro. Álcool. O rosto de travesseiro amassado reflete no espelho. A imagem não é bonita. Senta na tampa, escova o dente e por instantes mínimos cochila. A baba verde escorre, acorda.&lt;br /&gt;Deita de novo, mas não dá. No conjugado, sem cortina não dá. O sol cada vez mais toma mais espaço dos 3 por 8. O Sol entra e ele sai. O céu é azul, e quase cega.&lt;br /&gt; Anda de chinelo. É domingo dia de bermuda e feira. De blusa branca sai para evitar o sol. A pele seca e em 20 minutos já arde. Debaixo do braço um círculo. Gotas nas costas escorrem.&lt;br /&gt;Faz hora para ver se o sol vai embora. Apartamento pequeno é assim, filial do inferno. Na rua a brisa ajuda. Só 35 minutos.&lt;br /&gt;Ele vai dar uma volta, comprar fruta e flores. Ele gosta de flores. Do cheiro. Chega na feira. Ovo e uva boa. Se demora na escolha, 50 minutos. Ele entende da posição do sol, em 3 horas ele vai visitar outros. Passa para o peixe.&lt;br /&gt;Compra para mais tarde uma salada, alface, tomate e cebola. Alface só crocante quando já passa uma e meia.&lt;br /&gt;A feira está vazia, ele e mais dez que vão e voltam, todos a passos lentos, que fingem procurar o maracujá e depois cheiram todas as mangas. Todos conjugados ali naquele espaço. Fruta, gente, suor e suco.  O calor insuportável. Vai pela sombra, sempre. O sol já mais para esquerda. Começa a voltar pela direita, rua sem árvore, do chão sai fumacinha, que faz água, filme de bang bang. Uma brisa seca a gota da testa, é passageira. Na última barraca compra flores, para celebrar a primavera.&lt;br /&gt;Entra no prédio, sobe as escadas, mora no segundo e não gosta de elevador. Procura a chave no alface. Está no saco dos pepinos. Roda três vezes quando o relógio batia treze.&lt;br /&gt;E entra de retorno. Tudo estava seco. A humidade não existia. Os papéis amarelados, a poltroninha desbotada. Os livros vermelhos alaranjavam. A casa era a mesma de 3 horas atrás, mas secou sem a cortina que deixou para lavar. Sem fungo, sem alergia, sem brilho no taco mas com um sol de fim de primavera. Ali é vida sem vida. A claridade emociona mas as flores, em dois tempos, murcham.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-5981924907073538476?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/5981924907073538476/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/05/secara.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/5981924907073538476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/5981924907073538476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/05/secara.html' title='secará'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-2150794033260811054</id><published>2009-05-18T15:07:00.000-07:00</published><updated>2009-05-18T15:10:07.543-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pequenas do outro'/><title type='text'>no avarandado</title><content type='html'>Eram irmãs. Desde o nascimento da segunda já se iam 72 anos. A mais velha próxima da casa dos 80. O primeiro “enta” que lhe pesava, na idade, na mente e no corpo.&lt;br /&gt;Foi mãe da imigração. Foi com família, filha no colo, filho na mão. O marido ia a frente, mas sem predê-lo de vista.  Iam todos, mas dessa árvore genealógica só voltou raiz.&lt;br /&gt;Tornou para a casa como uma filha órfã. Um ano depois voltou a irmã, outra que se fez batata na terra onde nasceu.&lt;br /&gt;Ficaram num apartamento. O mesmo da infância. O mesmo onde estão até hoje na esperança da correspondência não ter erro para chegar. Mas não chega. Dos frutos nenhuma notícia. Do vento, nenhuma semente.&lt;br /&gt;A mais velha, corcunda, barriguda mas de mãos delicadas e cabelo sempre penteado foi costureira em tempos de agulha e mão. A máquina quando veio foi um alívio e ela balançava o pedal de ferro como quem balança um berço. Dali saíam todas as encomendas do bairro, fosse lá onde fosse. Mas a industria cresceu e de reparos acabou ficando ela, retalhada por uma vida sem pouso certo. A costura virou cicatriz, de quem trabalhou para casa e para fora. Em casa dela, casa de ferreiro o espeto era de ferro. Fino, pequeno e pontiagudo.&lt;br /&gt;E hoje vestida de camisola, ao lado da irmã, olhava pela varanda. No varal um vestido rosa pendurado. Tecido ruim, e reparos feitos para a vizinha, lavado à seco para parecer de pouco uso.&lt;br /&gt;E elas que mentem ao tempo para ver se ele esquece de passar vão ficando ali, apoiadas num gradil de ferro vendo de cima o passo de quem passa apressado e nunca pára para ver que a vida passa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-2150794033260811054?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/2150794033260811054/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/05/no-avarandado.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/2150794033260811054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/2150794033260811054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/05/no-avarandado.html' title='no avarandado'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-4729250074738923565</id><published>2009-05-07T18:01:00.001-07:00</published><updated>2009-05-07T18:01:39.414-07:00</updated><title type='text'>485</title><content type='html'>Chegou cedo, de calça passada, camisa esticadinha. O sapato velho, ainda escondia a idade. As unhas caprichadas, limpas e bem cortadas.  Chegou cedo. Tomou café na esquina, na rua, um bolinho e dois dedinhos no copo de vidro, copo americano, ideal pra cerveja. O bolo fubá. È dona Maria que vende, toda manhã pega o carro velho, quase pó, e vai de encontro no ponto. Ali o público é certo, e o produto vai rápido. Seis horas entra no ônibus que já aprendeu a ser seu. Sua segunda casa. No seu banco já colocou enfeite e um pano bordado pela mulher. Na caixa de dinheiro o adesivo é flamengo, é urubu. Organiza moedas e notas, o elástico é companheiro. Seis e quinze começa a primeira de um dia cheio. Terminal da Penha, seis e meia Fundão. Nesse primeiro não vai quase ninguém. 7 e vinte general Osório.  Quase oito Santa Bárbara. Ninguém vai para o Catumbi, o ônibus passa reto. No ponto alguém estica o dedo, o do meio, para o ônibus que não parou. Lá dentro mais de 40 em pé. Ao lado do motorista vão nove sardinhas e o ônibus vai carregando gado.  8 e quinze linha vermelha. Nas engenharias a maioria desce.&lt;br /&gt;9 horas o mesmo passa, na frente general osório. Vai vazio. Onze horas volta cheio. No ponto ao meio dia sobe uma que veio no das oito do Santa Bárbara. O assunto: professor faltou.  Ela dorme com o sebo desenhando no vidro, e a cabeça acusando um torcicolo. No colo pasta e mochila. No ônibus só vai ela e mais uns 20. Poucos em pé.&lt;br /&gt;Ele aproveita a calmaria,  organiza elásticos e brinca de contar moedas. Organiza-as em blocos de um e embrulha com durex. Guarda tudo e pensa no domingo, Flamengo campeão. Agradece ao urubu fazendo um afago no adesivo. Do bolso tira uma bananinha, esses doces 5 por um, que um vendedor que subiu às 10 lhe ofereceu. Sente um pingo escorrer nas costas, e o sol entrando forte pela janela que só abre metade.&lt;br /&gt;Na entrada da linha vermelha entram três. Ele ainda come bananinha. Na catraca espera a moeda ou o cartão. Mas a passagem é a arma. O doce 5 por um fica amargo. A moça do sebo no vidro acorda no susto. Procura na bolsa o celular com câmera, mp3 mas que só recebe, e o dinheiro que sobrou do almoço. É tudo o que tem. Quem vai em pé já esvaziou os bolsos. Alguns tremem. Um estalo. Ele do sapato velho, engole a última das cinco, passa o dedo pelo urubu enquanto estica o outro braço que tem nas mãos notas organizadas em blocos de 50 presas com elástico amarelo. O corpo pesa, e na camisa esticadinha a mancha vermelha. Foi mais um que foi com medo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-4729250074738923565?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/4729250074738923565/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/05/485.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/4729250074738923565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/4729250074738923565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/05/485.html' title='485'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-7671173905846252243</id><published>2009-04-26T21:35:00.000-07:00</published><updated>2009-04-26T21:36:36.898-07:00</updated><title type='text'>ajuste</title><content type='html'>Magro, alto, descompassado. O óculos fundo de garrafa e as costas levemente curvadas. Passava os dias sentado na cadeira de rodinhas azuis que favorece o descanso. Mas ele ficava sentado sem encosto, curvado para baixo, lendo as letras miudinhas com tamanha atenção. De todas as vezes que o observei nunca o vi pregar o olho.&lt;br /&gt;Ele chega cedo, todo mundo o conhece, mas a figura impressiona pela feiura, pelo andar, e pelo ar sério. Talvez impressiona não,  o torna animal. Um ser em extinção.&lt;br /&gt;A camisa com a marca do uso nas costas geralmente é azul em tom pastel e as calças são sempre bejes com cinto marcando acima do umbigo.&lt;br /&gt;Durante quase quatro anos também o achei bicho, como a maioria dos funcionários. Ele nunca emitia palavras, sempre sons imprecisos, sempre andava na sua dança e lia exaustivamente. Para mim que durante todas as minhas idas encontrava com ele, achava que já fazia parte, era como se ele exercesse ali o papel de leitor exemplar. Entra, sabe o que quer, pega, entra na sala de leitura, senta, e lê um livro de cabo a rabo por dia. As vezes penso se ele já não os lê pela terceira vez.&lt;br /&gt;Vai sempre sozinho e nunca conversa. Nem assuntos banais de elevador. No fundo acho que ele é incapaz de coisas banais. Ou talvez de escolher o que dizer, que palavra usar. Me pergunto quantas maneiras existem para cumprimentar, segundo o que ele vê e lê nos livros. Mas a verdade é que não sei se desaprendeu a falar.  Se tem vida sem letra impressa.&lt;br /&gt;O fato é que desde que a biblioteca ali está ele está também. Todos os dias. Me lembro que uma única vez ele faltou. Todos deram pela falta, mas ninguém tinha telefone, nem o nome era sabido. No dia seguinte ele reapareceu como se nada tivesse acontecido não deu satisfação. Fora esse dia nunca mais soube nem dei pela sua ausência.&lt;br /&gt;Um dia já era quase nove, na sala de leitura só havia ele e mais três, que já juntavam os livros para se levantar. Ele sempre tranquilo nesse dia faz o mesmo. Faltando 5 minutos recolheu a ponta da caneta num clique, pendurou no bolso da camisa, fechou o caderno onde sempre anotava poucas palavras, fechou o livro cuidadosamente, e colocou caderno sobre livro. Apoiou as duas mãos na mesa empurrou a cadeira para trás, projetou o corpo para frente, mas não levantou. Repetiu o mesmo procedimento. Trouxe a cadeira para perto, apoiou as duas mãos, empurrou a cadeira para trás, jogou o peso para frente e nada. Repetiu o procedimento mais umas 3 vezes mas permaneceu sentado. Não conseguia levantar.&lt;br /&gt;Os dedos da mão começaram a se unir, os pés começaram a curvar, e o listrado da camisa foi ficando cada vez mais parecido com o estofado da cadeira. A calça ia pelo mesmo caminho. A cintura afinava, e o braço endurecia em 90 graus. Os olhos ainda ficaram ali, e o óculos também, permitindo que ele assistisse a própria vida. Pela primeira vez ele disse uma palavra em quase alto e bom som.&lt;br /&gt;Não! E foi o tempo de virar cadeira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-7671173905846252243?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/7671173905846252243/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/04/ajuste.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/7671173905846252243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/7671173905846252243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/04/ajuste.html' title='ajuste'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-7064129753260307104</id><published>2009-04-26T21:18:00.000-07:00</published><updated>2009-04-26T21:35:07.391-07:00</updated><title type='text'>Ela...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_XxTWETWzsws/SfU18hrOMXI/AAAAAAAAAC8/GQNyJmDruAM/s1600-h/ela+que+pregava+o+amor.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329225048010928498" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 202px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_XxTWETWzsws/SfU18hrOMXI/AAAAAAAAAC8/GQNyJmDruAM/s320/ela+que+pregava+o+amor.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela que pregava o amor passava o dia fazendo pregas nas roupas das crianças.&lt;br /&gt;Ela que pregava o amor acreditava que se cozinhasse beringela no lugar de abobrinha a vida melhoraria.&lt;br /&gt;Ela que pregava o amor, todos os dias pagava caro pelo quilo de carinho.&lt;br /&gt;Ela que pregava o amor pegava o trem para chegar e chegava sem fazer barulho&lt;br /&gt;Ela que pregava o amor regava seus amores-perfeitos e podava as marias sem vergonha,&lt;br /&gt;Ela que pregava o amor lavava a roupa até ficar branquinha na esperança que sua vida fosse mais clara de entender e depois a pregava esticadinha no varal.&lt;br /&gt;Ela que pregava o amor um dia pregou no quarto um recado onde se lia Amor e ao lado via-se sua 3x4.&lt;br /&gt;Ela que pregava o amor foi sem nunca saber o que era isso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-7064129753260307104?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/7064129753260307104/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/04/ela.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/7064129753260307104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/7064129753260307104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/04/ela.html' title='Ela...'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_XxTWETWzsws/SfU18hrOMXI/AAAAAAAAAC8/GQNyJmDruAM/s72-c/ela+que+pregava+o+amor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-7629556421430941934</id><published>2009-04-26T21:17:00.000-07:00</published><updated>2009-04-26T21:18:16.442-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pequenas histórias'/><title type='text'>de vida vivida</title><content type='html'>Vinte e um latões laranjas, e mais o dobro de sacos pretos dão a soma final de alguns dias. Ele conta entusiasmado sem saber a matemática. Nunca foi a escola, mas sempre teve vinte dedos. Sabia que ali tinha um laranja a mais que a soma, e muitos pés a mais de sacos pretos. Não lembrava seu nome, alguém um dia disse Zé, e desde então ele assim se apresenta. É o seu Zé, que a dona Felícia sempre que pode dá uma comidinha, o seu Antonio sempre que pode dá um cigarrinho, mas só hoje, e a criança sempre que a mãe pode, atravessa a calçada pra fingir que não existe.&lt;br /&gt;Seu Zé é assim, faz parte daquela rua e daquele lado esquerdo de quem vem, no final perto da banca do seu Totonho. Escolheu aquele canto nem ele lembrava bem porque. Os mais ranzinzas da região diziam que era culpa de pessoas como Felícia que ficam dando comidinha, mantinha e travesseiro para um homem daquele tamanho. Dona Felícia se fazia de surda, e os outros também. Mas não havia nada que pudessem fazer para tirar seu Zé dali. Ele morava em frente a um muro pintado de branco, que por ter ele estar morando ali na frente nunca ninguém assinou o nome. Ai não dava, marcar território onde já tem gente morando. O verdadeiro dono do muro, o que tinha o nome assinado no papel até gostava de ter seu zé por ali. Ele era limpinho e organizado, evitava coco de cachorro, sujeira e pixação. E foi ficando.&lt;br /&gt;Nesse dia somava-se na frente dele os 21 latões laranjas. Como todas as noites seu Zé observa e espera que as luzes das casas se apagarem. É quando ele se levanta e vai remexer na vida alheia. Isso ele tinha aprendido: do lixo pouco é lixo, muito é história. E ele gostava, já que não era todo mundo que falava com ele, e a própria dona Felícia e o seu Antonio por mais que fossem próximos não eram por assim dizer íntimos. Seu Zé carecia de vida. De novela da vida privada. E assim ele foi descobrindo muita coisa. Como disse ele não sabia ler, e se soubesse sua investigação da vida ao lado teria sido com certeza muito mais fácil e interessante, mas ele se contentava em imaginar sem saber de verdade, deixar os fatos se tornar verdade mesmo que fossem apenas hipóteses da sua cabeça. De meia furada à fotografia de bêbe tudo ele encontrava ali. Uma vez pôs-se a usar um colar de uma madame, e já dizia o velho ditado, dado não é roubado. A dona que por distração tinha o enviado para dentro do latão não se conformou quando o viu no pescoço daquele homem. Para o seu Zé o colar era de princesa, e um dia ela ia voltar para buscar, foi a história que ele contou a toda a gente, quisessem ou não saber. Junto veio um lenço azul de listras que cismou em usar. Deu a maior questão. O lenço era do marido da moça do 61, mas a do 51 com medo que o seu marido desconfiasse jogou no lixo e o colar acabou indo de brinde. Mas seu Zé nunca disse que os encontrou juntinhos. Não era a sua intenção.&lt;br /&gt;Ele só queria objetos para contar. E naquele dia enquanto contava os sacos e latões já lambia os dedos, enquanto o coração fervia de vida que seria vivida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-7629556421430941934?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/7629556421430941934/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/04/de-vida-vivida.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/7629556421430941934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/7629556421430941934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/04/de-vida-vivida.html' title='de vida vivida'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-8065649154304299055</id><published>2009-04-26T21:06:00.000-07:00</published><updated>2009-04-26T21:16:35.003-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pequenas histórias'/><title type='text'>entre nuvens</title><content type='html'>Ultimamente andava revirando a memória. Estava velhinha, andava mal, a mão tremia. A saudade era sua grande amiga. Abriu o baú das lembranças. Entre carta das primas, bilhetinhos, peão, papel de carta, diários, o que mais lhe marcava era a sua boneca Sofia. Escrita assim com dois eles em baixo do pé direito. Ela se lembrava mesmo do dia em que a tinha ganho. Foi uma tia, casada com o irmão da mãe. Foi num dia de aniversário. Ela apareceu com um pacote, nem feio nem bonito, com um laço de fita amarela. A menina nem deu por isso. Deixou o pacote de canto, aquela tia também não lhe dizia grandes coisas. Sua mãe tinha 5 irmãos, 2 homens e três mulheres, então tias e tios era o que não faltava naquela família.&lt;br /&gt;A festa acabou, e os pacotes ficaram por abrir no dia seguinte. Acordou como no Natal, de um pulo, lembrando dos presentes da véspera. Abriu todos os pacotes, inclusive o do laço amarelo. Lá de dentro uma boneca. De olhos puxados, mas grandes, como o da tal tia. Do lado um cartãozinho dizendo a origem. Vim do outro lado do mundo. A menina, na época completava seus 6 anos, ficou tremendamente instigada com aquilo. Como assim? Será que era verdade? Nunca tinha parado para pensar naquela tia. Será que ela também vinha do outro lado do mundo. Mas onde será isso? Olhou e reolhou a boneca. Nada de diferente das outras. É verdade que era de pano, o cabelo não era de lã e os olhos não eram redondos nem azuis, mas era uma boneca, como qualquer outra, dois braços, duas pernas, como seria o outro lado do mundo? A mãe achou estranho. Deixa eu ver. Foi a tia Noemi. &lt;br /&gt;Deixou de lado e abriu os outros presentes. Depois olhou todos, tudo junto. Tudo igual. Alguns brinquedos de madeira, outras bonecas de cabelo de lã, outros papéis de carta com imagens repetidas.&lt;br /&gt;. A noite a menina sonhou que ia para o outro lado do mundo. Ia voando, e a boneca no sonho ia um pouco a frente, guiando a menina. Ela podia ver no pé direito que tinha algo escrito, mas não sabia ler. Demorou o tempo de uma noite para atravessar o mundo, acordou quando pôs os pés no chão.&lt;br /&gt;No travesseiro estava a boneca. A menina teve a sensação de ver os olhos fechados, como se estivesse dormindo. Estranhou. Observou por tempos para ver se ela acordava,  sem fazer barulho nem da respiração. Numa piscada a boneca acordou. A menina não percebeu, quando se deu conta já ela estava igual a quando saiu da caixa.&lt;br /&gt;Na noite seguinte foi a mesma coisa, sonhava que atravessava o mundo, mas dessa vez chegava em casa. E ficou nessas indas e vindas durante muito tempo. Passavam mares, barcos,  muitas nuvens, alguns pássaros. Os dias sempre de sol, e nunca viajava durante a noite.&lt;br /&gt;Em nenhuma dessas viagens conheceu o Japão. Poderia identificá-lo num mapa, aonde se localizava e sua forma caso perguntassem, mas não poderia dizer da sua gente, seu cheiro, suas cores. Depois de meses todos as noites só sonhando voando a menina resolveu não dormir mais com a boneca. Queria outros sonhos, colocou-a longe, dentro do baú.&lt;br /&gt;E agora ao abri-lo só olhava os olhos, ora abertos ora fechados. Olhou em baixo do pé, e leu pela primeira vez seu nome, Sofia, era o seu próprio nome. Se sentia voltando aos seis anos, e colocou a boneca ao lado do travesseiro. Nessa noite sonhou que ia ao Japão, como antes, o mesmo caminho, entre as nuvens, os barcos, mares e terras foi tudo muito rápido, talvez nem dois minutos e depois pela primeira vez ouviu o som de tambores, de vozes, de vento, sentiu o cheiro das flores, o barulho da água, andou em tapume, comeu comida com alga. Tudo isso num sonho que durou uma eternidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-8065649154304299055?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/8065649154304299055/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/04/entre-nuvens.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/8065649154304299055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/8065649154304299055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/04/entre-nuvens.html' title='entre nuvens'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-2142876221042498594</id><published>2009-04-26T21:04:00.000-07:00</published><updated>2009-04-26T21:05:16.358-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pequenas do outro'/><title type='text'>dança das cadeiras</title><content type='html'>Dança das cadeiras&lt;br /&gt;Prédio meia meia à direita. Passando algumas lojas, elevador, bom dia, nono andar. Várias portas. Novecentos e vinte e um, ando. Lá na frente à direita entreaberta é a novecentos e trinta e nove. Eu entro sem bater, e ao fechá-la lê-se, mantenha a porta encostada. Lido e feito. Na mesa não há ninguém. No sofá de canto, com estampa renascentista marrom duas pessoas aguardam, nas cadeiras encostadas na parede, outras duas. Eu me coloco no meio do sofá entre mãe e filha. Na televisão os novos e velhos astros da televisão nacional. A porta abre, mais uma entra. Na mesa por enquanto ninguém.&lt;br /&gt;Ela aparece. Eu e a última a entrar nos apresentamos. Marilene de Oliveira, particular, já tenho ficha. Alice Correia, plano, nova, onze horas. Me apresso em dizer que eu sou a das dez e meia.&lt;br /&gt;Ali era sempre assim, uma hora e meia no mínimo no sofazinho vendo as estrelas, seja na tela ou na revista. A porta abre, mais uma, já na casa dos 70. Senta aqui senhora. Nós do sofá de canto nos apertamos. Ali ninguém fica em pé. Lá de dentro a moça sai, e lá de fora outra senhora também da sétima dezena. Outra se levanta, mas dessa vez para entrar na sala. A senhora senta. Vinte minutos, nós, o telefone que toca sem parar, a minha leitura que não vai além da ilha de Caras e na televisão um homem que segundo alguém, já foi muito bonito ao lado de outro que já teve bem menos cabelo, preparam um bacalhau, nem bonito, nem peludo.&lt;br /&gt;Cinco minutos, a porta abre. De vestidinho branco ela vem atrás da mãe que parece mais afoita que a filha. Senta minha filha, não fica em pé não. A turma do sofá se espreme, senta e levanta. Não posso não. Tá sangrando. A coisa é grave. A moça da mesa manda entrar. Assim imediatamente. E depois nos deixa a par da situação. Ela está com dois, cinco meses, está sempre com problema. Eu pensei pelo tamanho, que já era para a semana. A mãe da futura mãe sai para comprar fralda para filha. Dez minutos e volta, a filha já saiu, agora repouso absoluto.&lt;br /&gt;Nós esperamos. . Alguém faz contas. Vai dar sete minutos para cada uma na consulta. Se a conta tiver certa a espera hoje será de uma hora e muitos. Eu sou só exame, entrega e resultado, eu também, rapidinho. O telefone toca, consultório médico bom dia, toca, um minutinho, consultório médico bom dia, um minutinho só por favor, hoje não vai dar não… isso aqui ta cheio demais. .. consultório médico pois não. A porta abre outra de barriga grande. Senta aqui. Não, não to podendo, as minhas costas tão que eu não aguento. Tenho hora não, eu volto outro dia então. Próxima, Dona Lilia por favor.&lt;br /&gt;E nós continuamos esperando, dançando cadeiras e vendo o tempo e as estrelas passarem. A porta abre. Era a das 10, que sabidamente chegou na hora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-2142876221042498594?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/2142876221042498594/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/04/danca-das-cadeiras.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/2142876221042498594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/2142876221042498594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/04/danca-das-cadeiras.html' title='dança das cadeiras'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-6525024039513897408</id><published>2009-03-18T09:37:00.001-07:00</published><updated>2009-03-18T09:52:04.949-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pequenas do outro'/><title type='text'>ao som marrom</title><content type='html'>Mal aprendeu os passos, o colocaram sentado naquele banco sem encosto onde com boa vontade sentam-se dois.&lt;br /&gt;Era o menos daquela sala. Com spatinhos de couro, meias brancas e uma bermuda alinhada para aquele pequeno futuro adulto, entrou na sala. No final do corredor a última porta. A mãe ia com o menino pela mão. Bateu três vezes e aguardou pacientemente. Lá de dentro ouviram-se passos lentos e bem marcados.&lt;br /&gt;A maçaneta redonda rodou. A porta rangeu e fez surgir a imagem de uma senhora já de certa idade. Vinha com roupa marrom. Saia bem cortada e casaco de lã que se não fosse pelas bolinhas do tempo dizia-se uma vestimenta impecável. Cheirando a sabão e muito bem engomada.&lt;br /&gt;Das mãos fortes as unhas bem cuidadas e grandes, mas sem exagero, e um anel simples e elegante.&lt;br /&gt;Entre por favor. Esse é o menino? Ela não tinha mjuito jeito com no trato com as crianças.&lt;br /&gt;O menino entrou sem ritmo. A mãe lhe beijou a ponta do nariz. Ele abriu e fechou as mãos acenando um até logo. A porta encostou atrás e ele se viu de frente àquela mulher marrom naquela sala igualmente marrom.&lt;br /&gt;Chão e mesinha redonda pra três tudo em madeira impecavelmente enceirada. Da janela comprida entrava uma luz agradável que fazia distinguir as diferentes tonalidades de árvore. As cortinas postas de lado também não fugiam do assunto e completavam o arranjo com um fundo ocre e flores miudinhas. Ao centro esquerdo da sala o motivo pelo menino estar ali. Um piano sem calda e um banco para dois.&lt;br /&gt;Sentou-se com dificuldade e ficou com os pés a tocar o vento. Mínimo no meio de tantas teclas. A professora que estava habituada a pequenos alunos, apesar da ausência de carisma, empurrou o banco e colocou o menino olho-teclado com o piano. Está bom ou meis a frente? Vai experimenta.&lt;br /&gt;Ele esticou os braços, abriu os dedos e depois fechou-os deixando apenas aquele que aprendeu como fura-bol e com o seu direito, foi direto e fez um mi.&lt;br /&gt;Até hoje aquele som, primeiro mi se prolonga na sua cabeça. Ele e aquele marrom.&lt;br /&gt;Para o menino qeu chutava o ar, a música foi ganhando cores e sempre tocava desenhos, mas desde o primeiro momento, e sempre que dava ré nas lembranças, o mi foi sempre marrom em todas as suas tonalidades, frias e quentes. E naquele primeiro dia aquele foi o marrom mais bonito que um dia produziu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-6525024039513897408?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/6525024039513897408/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/03/ao-som-marrom.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/6525024039513897408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/6525024039513897408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/03/ao-som-marrom.html' title='ao som marrom'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-6896948013470215903</id><published>2009-03-04T09:44:00.000-08:00</published><updated>2009-03-04T10:27:57.363-08:00</updated><title type='text'>O homem da máquina</title><content type='html'>16 quilos em letras garrafais escritas em preto sobre um fundo laranja. No canto superior esquerdo o número 5 e um pouco mais a cima o valor 7,10 em um amarelo fluorescente.&lt;br /&gt;Era a última vez que ia ali, já havia virado rotina. Toda quinzena juntava as meias, blusas, toalhas e roupa de cama, contava as moedinhas gordas e passava a manhã olhando aquele 16 em letras grandes e a roupa que rodava colorida no tambor.&lt;br /&gt;Era o seu programa de domingo. Na noite anterior preparava a sua mala de rodinha como quem parte para longe. Organizava a roupa suja muito bem dobrada que alfândega nenhuma pudesse questionar.  Num saquinho plástico pão com queijo sem manteiga  e no alumínio uma pêra doce. Uma garrafa de água caso tivesse cheio e um porta moedas de camelo recheado.&lt;br /&gt;De saída na banca comprava o jornal de esporte para acompanhar os últimos do segundo tempo que sempre adormecia na noite anterior, descia a rua e entrava numa portinha a esquerda recém-aberta. Era sempre o primeiro do dia. E ali ficava sentado na cadeira cinza a olhar sua imagem refletida imóvel no meio das roupas que rodavam.&lt;br /&gt;Ele gostava daquilo, daquela barreira entre ele e ele refletido. Lhe fazia bem ver-se pequeno preso dentro da máquina de lavar com todas as coisas a passarem na sua frente e saber que ele tinha o controle da situação: poderia abrir a porta frontal da máquina a qualquer momento.&lt;br /&gt;Nesse último dia não teve vontade de abri-la. Afinal gostava de se ver ali dentro. Pequeno, sentado confortavelmente na cadeira cinza a olhar para quem do lado de fora passa os dias a lavar roupa como se essa fosse a sua única atividade da semana.&lt;br /&gt;Ele enfim se cansou, se levantou e caminhou em direção a sua imagem que fielmente imitou os passos. Ficaram cara a cara no tempo de uma lavagem.  E ele percebeu afinal que não gostava daquilo, ficar ali morando na máquina de lavar.&lt;br /&gt;Abriu a porta e se viu desfazer em água, sabão e amaciante. No dia seguinte fez um empréstimo que pagou em 10 vezes sem juros. Ela era branquinha, sem letras garrafais, e sua abertura superior não refletia imagem nenhuma só o branco de depois que se lava a roupa suja.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-6896948013470215903?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/6896948013470215903/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/03/o-homem-da-maquina.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/6896948013470215903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/6896948013470215903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/03/o-homem-da-maquina.html' title='O homem da máquina'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-6949230115843479664</id><published>2009-02-08T10:48:00.001-08:00</published><updated>2009-02-08T10:50:50.209-08:00</updated><title type='text'>O homem que atravessou o mar</title><content type='html'>Pelo menos uma vez por semana fazia assim. Acordava mais cedo do que de costume, juntava todas as moedas da semana, caminhava até o porto e lá pegava o próximo barco. Ia em direção a uma pequena ilha aonde moram não mais do que cinco pessoas e mais do que cinco gaivotas.&lt;br /&gt;Chegando na ilha sentava-se num banco de ripas brancas de onde se via o mar, nenhuma terra à vista e vez ou outra um barquinho perdido contornava o horizonte. O homem que todas as semanas atravessava as águas olhava pacientemente.&lt;br /&gt;Do bolso do casaco cinza, desses que barram o vento, tirou um saquinho de tabaco. Preparou um cigarro e fumou no tempo de uma eternidade. Do bolso da calça marrom quase preta um radinho de pilhas tão velho como a roupa se faz visível.&lt;br /&gt;O homem procura todas as estações. Só encontra uma, mas da igreja que ele não pratica. Ele não desiste e insiste. Alonga as antenas e coloca o radinho também sentado na ripa, como uma criança bem educada. Os não mais do que cinco moradores dizem que é sempre assim, quase um ritual esse de fumar o cigarro, tirar do bolso rasgado o rádio rouco, colocar ao lado como um melhor amigo e procurar o melhor da comunicação, mesmo quando o desinteressante prevalece. Na sequência o homem tira do outro bolso um saco de batatas fritas e saboreia fazendo o som do crocante enquanto do rádio, soa como um choro, a música das gaivotas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-6949230115843479664?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/6949230115843479664/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/02/o-homem-que-atravessou-o-mar.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/6949230115843479664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/6949230115843479664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/02/o-homem-que-atravessou-o-mar.html' title='O homem que atravessou o mar'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-4820931277295371616</id><published>2009-02-05T15:14:00.000-08:00</published><updated>2009-02-05T15:26:00.115-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pequenas do outro'/><title type='text'>uma manchinha difusa</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_XxTWETWzsws/SYt0mDR5bBI/AAAAAAAAACM/i-AZtRlcHIQ/s1600-h/DSC00267-red.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299457583595744274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 254px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_XxTWETWzsws/SYt0mDR5bBI/AAAAAAAAACM/i-AZtRlcHIQ/s320/DSC00267-red.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Estava todo mundo lá apesar do frio de congelar sorrisos. Vagueando perdidos pela cidade, meio zumbis naquela noite de colchão e cobertas. A cidade estava cheia, mas parecia vazia. Alguém havia dito que seria calorosa a movimentação em Iaialinta, entretanto eu me sentia entrando em geladeira de peixeiro: fria, com seus ocupantes de boca aberta e olhar de peixe morto  na expectativa de ter algo para esperar.&lt;br /&gt;Onze e meia deu-se uma concentração de gente. O local era a praça principal dessa cidadezinha que a cartografia desconhece. No meio da praça um coreto ornado com um papai noel inflável apoiado num gradil onde nevava acrilon cortado em triângulos. Ao lado um pinheiro de verdade. Os enfeites simplórios foram feitos com a sucata reunida durante dois meses numa ação da prefeitura. No final um dia na praça, a cidade reunida pintando potinhos de iogurte e duas crianças no pronto socorro por ingestão indevida de tinta guache cor tutti-fruti.&lt;br /&gt;Já era quase meia noite, a concentração já adiantava seus relógios alguns minutos. Alguns já gritavam na esperança de aliviar os problemas deixados para o ano. Sempre assim, como se tudo mudasse nos ponteiros do relógio. A meia noite absolutamente nada aconteceu. Afinal o auxílio municipal ficou restrito a potinhos plásticos mal pintados.&lt;br /&gt;Os habitantes não pareceram se importar. Alguns dançaram com o papai noel que esse ano veio de saco vazio, outros tentaram virar estrela do topo do pinheirinho, muitos já entravam com o pé direito e o passo cambaleante. Poucos brindaram, pouco havia para se brindar.&lt;br /&gt;E no meio do inusitado que as pessoas inventam para driblar o insatisfeito um homem se retirou, tentando de longe encontrar o que mudava com a marcação do tempo. O andar era mais leve, nos rostos já havia sorrisos e na pracinha tudo era mais bonito. Iaialinta já era uma manchinha difusa no mapa da região. E na legenda lia-se: “lugar onde se encontra…”. E a continuação estava igualmente difusa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-4820931277295371616?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/4820931277295371616/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/02/uma-manchinha-difusa.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/4820931277295371616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/4820931277295371616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/02/uma-manchinha-difusa.html' title='uma manchinha difusa'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_XxTWETWzsws/SYt0mDR5bBI/AAAAAAAAACM/i-AZtRlcHIQ/s72-c/DSC00267-red.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-7688694934309204022</id><published>2009-02-02T10:54:00.000-08:00</published><updated>2009-02-02T11:13:31.277-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pequenas do outro'/><title type='text'>pelo vento</title><content type='html'>Tinha um encontro, não poderia ficar para o almoço. Um sanduíche ou uma salada industrial. Saiu com pressa, deixando o telefone anotado num papel jogado na bolsa. Amanhã quem sabe ligaria.&lt;br /&gt;Seguiu na rua, pegou a bicicleta e na primeira rua entrou. Atravessou a ponte. Chovia fino, não havia incômodo. Chegou ao local sem dificuldades. Entrou no salão pela porta giratória. Cortinas de veludo e estátuas art nouveau. Ninguém conhecido. Esperou sem graça. Aquilo não lhe dizia respeito.&lt;br /&gt;Ele chegou se desculpando. Estava feliz, trazia novidades velhas que ela já conhecia das últimas semanas. Do outro lado a vida não ia bem. ela se importava mas se sentia inútil. Do lado de cá a vida não gostava nem desgostava, mas andava num equilíbrio. As surpresas boas e ruins faziam falta. Não queria de verdade saber dos outros.&lt;br /&gt;E nesse momento em que ele lhe falava, ela simplesmente não ouvia. Não sabia porque tinha ido, as vezes é difícil dizer não. Observava as mãos pequenas e feias. Depois se concentrou no seu café, o silêncio se fez presente, pensou em algo mas nada oportuno. O silêncio saiu melhor.&lt;br /&gt;Ele continuou, enredou histórias da vida alheia e da sua própria. O café era mais interessante. Pediram a conta.&lt;br /&gt;No final recebeu um envelope que abriu sem surpresa, só uma página em letras grandes. Ficou triste pela ausência de assunto e sentimento. Pela ausência de presença. Constatou que foi escrita por obrigação mas por isso também já estava a espera.&lt;br /&gt;Dobrou o papel e recolocou-o no envelope pardo. Na bolsa havia um outro envelope branco que continha um cartão também escrito por obrigação, entretanto ela preferiu não entregá-lo.&lt;br /&gt;Já estava na rua andando por caminhos certos que levavam a lugares conhecidos. A chuva continuava e o frio na mão doía.O vento que batia no rosto fazia lágrima que escorria, mas não causava tristeza. Ao contrário, achava graça chorar pelo vento. E pelo vento, jogou os envelopes e as palavras secas fora e se molhou feliz na chuva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-7688694934309204022?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/7688694934309204022/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/02/pelo-vento.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/7688694934309204022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/7688694934309204022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/02/pelo-vento.html' title='pelo vento'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-5458575333481052647</id><published>2009-02-02T09:11:00.000-08:00</published><updated>2009-02-02T10:42:51.523-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pequenas do outro'/><title type='text'>ela da 38</title><content type='html'>Poltrona 38, duplex em baixo, corredor. Era ali que ela se encontrava. O trem partia, com poucas memórias, quase sem vida. Alguéns carregavam pesadas malas vazias de sentimento. Era um fim de dia começo de noite, a lua cheia de si. Vagão 8? É, eu creio e assim espero. Segunda classe? Acho que sim.&lt;br /&gt;Teve um dia longo que ainda não acabara. Ia pensando em nada, esvaziando-se de problemas. Com licença poltrona 87? É lá em cima. Senhoras e Senhores, aqui é o condutor... Com licença, boa noite, poltrona 93?&lt;br /&gt;O trem parte.&lt;br /&gt;Ao lado sanduíche, nela o ronco do ventre. Nesse dia só café.&lt;br /&gt;No listrado da poltrona a homogeneidade dos dias sem fim. Monotonia, monocromia, sem sal.&lt;br /&gt;Esse sanduíche malzinho. Parecia saboroso para quem come com os olhos. No vizinho desce um gole. Na garganta a seco, não trouxe nada.&lt;br /&gt;Fechava os olhos mas eles abriam, pensava na respiração, sufocava. Um silêncio no vagão número 8. Viram-se as páginas da revista do trem. O homem à frente ronca e dorme, de óculos pra ver os sonhos nitidamente. E ela da 38 não prega o olho, parece estátua fazendo quase parte do estofado sem graça da poltrona. Ela anda meio assim desgraçada da vida. Com emprego, com família, com m certo dinheiro, mas com a cabeça cheia de minhocas e o coração cheio de ar. Ela e provavelmente o senhor da 87, a madame da 93 e o moço do sanduíche.&lt;br /&gt;Todos são poltronas monótonas que vão e vêm todos os dias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-5458575333481052647?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/5458575333481052647/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/02/ela-da-38.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/5458575333481052647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/5458575333481052647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/02/ela-da-38.html' title='ela da 38'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-5404255458452448187</id><published>2009-02-02T08:48:00.000-08:00</published><updated>2009-02-02T09:10:49.997-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='euxaristo'/><title type='text'>para a travessia</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_XxTWETWzsws/SYcpDiGERkI/AAAAAAAAAAo/SHejgVXObzY/s1600-h/IMGP4799-red.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298248627293275714" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_XxTWETWzsws/SYcpDiGERkI/AAAAAAAAAAo/SHejgVXObzY/s320/IMGP4799-red.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_XxTWETWzsws/SYcn_nXVLpI/AAAAAAAAAAY/kHbTeCIlKyc/s1600-h/IMGP4799-red.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No barco uma surpresa. Quem dá mais por um banco de praça? No último andar onde se vê o céu e é mais perto das nuvens estão todos: cachorros, mochilas, kebabs e eu. O barco vai atrasado, nessa terra onde o sol vai tarde - e ainda bem- ele já quase se foi, deixando um céu vermelho intenso típico das grandes cidades e nós continuamos aqui. Eu ainda posso ouvir pelo fone no ouvido que "o samba da minha terra deixa a gente mole" e esse calor infernal também. Ainda mais hoje num ambiente de churrasquinho de domingo, gente falando alto e crianças correndo. Uma maravilha, e eu, me descubro gostando disso. Não sei se mais tarde quando me acomodar nessas ripas de madeira sem o sleep que hesitei em trazer serei da mesma opinião. Mas dureza será para senhorinha aqui ao lado de meias pretas esticadas, saia e lenço igualmente pretos e que pelo bater dos pés também vai com uma canção na cabeça, ou já pensa impaciente nas 9hs que nos separam das ilhas nessa agradável noite de verão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-5404255458452448187?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/5404255458452448187/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/02/para-travessia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/5404255458452448187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/5404255458452448187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/02/para-travessia.html' title='para a travessia'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_XxTWETWzsws/SYcpDiGERkI/AAAAAAAAAAo/SHejgVXObzY/s72-c/IMGP4799-red.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-5176643443936105539</id><published>2009-02-02T07:20:00.000-08:00</published><updated>2009-02-02T07:51:43.712-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pequenas histórias'/><title type='text'>Zézinho</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_XxTWETWzsws/SYcVfiX2MnI/AAAAAAAAAAQ/w3EfsCR7i1A/s1600-h/zezinho.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298227118171632242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 253px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_XxTWETWzsws/SYcVfiX2MnI/AAAAAAAAAAQ/w3EfsCR7i1A/s320/zezinho.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Zézinho é o seu nome. Ele mora com sua mãe, seu gato e seu teclado emprestado. Zézinho passa os dias vendo televisão e as vezes monta dinossauros que brilham no escuro. Da televisão ele tem impressão de conhecer o mundo. Todos os animais e as mais longínquas cidades. Zézinho mora num apartamento pequenininho e tem um quarto pequenininho, onde é a sua casa. Zézinho gosta de jogar basquete e tem uma cestinha pregada na parede. Como ele é novo sua mãe não gosta que ele vá muito longe sozinho, então, ele passa os dias indo longe pelas imagens da televisão e comendo deitado. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas há uma outra coisa de que Zézinho gosta muito, que é de tocar o seu teclado. O teclado não é dele, é do professor que deixou ali ficar na esperança que o menino deixasse de apertar o botão do controle remoto para apertar as teclas do instrumento. As vezes funciona.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Do quarto de Zézinho a vista é o prédio da frente, e os dois prédios ao lado do da frente. Ele não gosta de ver o mundo pela janela, parece muito real e muito próximo. Como já disse, ele gosta de ir longe, mesmo que de mentira. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A sua mãe trabalha o dia inteiro e o seu pai ele desconhece, mas não lhe faz falta. Ele gosta de ir a praia quando a sua mãe tem folga, mas isso é raro. Um dia foram os dois, a mãe gastou quase todas as economias. Sabe como é, a praia é longe e o transporte lá não chega. Então, dois ônibus, uma boa caminhada e um furo no bolso. Mas pra Zézinho valeu a pena. Ele molhou os pés em águas salgadas e fresquinhas; ele não sabe nadar mas pensa um dia em aprender.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na volta pra casa ele se esparrama na cama e liga a televisão. O teclado de lado, não será hoje tocado. E na televisão vê imagens de um mundo submarino, que ele por ora ainda não alcança.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-5176643443936105539?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/5176643443936105539/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/02/zezinho-e-o-seu-nome.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/5176643443936105539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/5176643443936105539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/02/zezinho-e-o-seu-nome.html' title='Zézinho'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_XxTWETWzsws/SYcVfiX2MnI/AAAAAAAAAAQ/w3EfsCR7i1A/s72-c/zezinho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8001281565715769829.post-5069403972902555913</id><published>2009-02-02T05:38:00.000-08:00</published><updated>2009-04-26T21:04:13.107-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pequenas histórias'/><title type='text'>lá do alto</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_XxTWETWzsws/SfUuFKQkY-I/AAAAAAAAAC0/WxNPMzvILyo/s1600-h/l%C3%A1+do+altored.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329216400250921954" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 190px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_XxTWETWzsws/SfUuFKQkY-I/AAAAAAAAAC0/WxNPMzvILyo/s320/l%C3%A1+do+altored.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Lá do alto ela ri alto! Sozinha na imensidão de verdes e pequenas casas, quadradinhos vistos de cima. É tudo uma colcha de retalhos, como as que a sua avó fazia nas tardes de chuva. Lá em baixo as pessoas formigas vivem a sua vida. Vida simples de lavar pratos e sujá-los todos os dias, mesmo que a comida seja jiló.&lt;br /&gt;Ela vai longe, como quem vai a lua. No entanto ela vai só ali. Ver a vida de cima, como alguém que vê de fora. Tudo parece tão nada ali tão pequeno, como brincadeira de criança, tão irreal e manipulável. Dali tem o controle de tudo. Apesar de quem a vê de baixo só reconhecer um pontinho vermelho no azul do céu.&lt;br /&gt;E foi assim, ela encheu os pulmões de ar, soprou para dentro do balão vermelho, segurou na cordinha que nele tinha amarrado e foi subindo. Como em sonho de criança ela ia longe, já passava da cidade vizinha, lugares que até então desconhecia. Ia na altura das nuvens, que já foram ursos, já foram crocodilos e agora eram travesseiros confortáveis. Mas ela não parava. Ia ao sabor do vento, para onde ele a levasse.&lt;br /&gt;Ao seu lado uma gaivota também ia com o vento, com as asas abertas, ia descendo de encontro àquilo que a menina julgou ser o nada. Nunca tinha visto antes. A gaivota sumia naquela imensidão de azul escuro. A menina encantada não teve medo segurou nas asas e se deixou levar, quando chegou lá em baixo era tudo água. O cheiro lhe agradava. Sentou no seu balão vermelho e se deixou levar pelas ondas, aonde fosse dar. Ao seu lado pulou colorido, um peixe brilhante. Ela olhou achando graça. Pensou no peixinho Firmino que a vizinha tinha num aquário e que vivia encostado ao vidro com um olhar solitário. Afinal ficaou com medo de tamanho mundo. Se sentia perdida no meio da ausência de escolha de caminho. Pegou na cordinha, o balão ainda gorducho se pôs a subir para o céu, ela agarrou nele e foi de encontro com as nuvens, que formavam melancias.&lt;br /&gt;Ela provou, e de barriga cheia deitou na nuvem ao lado, um verdadeiro algodão. Ali se deixou levar, apoiada com a cabeça no seu balão e estendida na nuvem, olhando o céu visto do céu. Logo a lua surgiu quando ainda era dia. E nela foi se encostar.&lt;br /&gt;E ali parada ao lado da lua ficou a espera do nada. No meio de tamanha insignificância foi encontrada pela sua cidadezinha, que passava lá em baixo. E a menina viu um quadrado amarelinho, e ao lado uma árvore enorme. Era a sua casa.&lt;br /&gt;Deu um abraço na lua e abriu devagarzinho o balão, mas só um pouquinho. E foi descendo de leve até chegar em casa.&lt;br /&gt;Lá dentro sua mãe lavava os pratos para uma próxima refeição. E a menina entrou já se pondo na cama, a espera de sonhar sonhos de verdade&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8001281565715769829-5069403972902555913?l=comoumbalao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comoumbalao.blogspot.com/feeds/5069403972902555913/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/02/la-do-alto-ela-ri-alto-sozinha-na.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/5069403972902555913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8001281565715769829/posts/default/5069403972902555913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comoumbalao.blogspot.com/2009/02/la-do-alto-ela-ri-alto-sozinha-na.html' title='lá do alto'/><author><name>anna thereza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01056786925231298067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_XxTWETWzsws/SfUuFKQkY-I/AAAAAAAAAC0/WxNPMzvILyo/s72-c/l%C3%A1+do+altored.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
